AVALOVARA OSMAN LINS PDF

It is a case of something much like the old Erector Set I used to enjoy so much, where the choice was yours whether to make a Roman chariot or a wheelbarrow. It is a less subtle way of telling us how to read a book properly than the feeling we get whenever we read something a second time and find that it is not quite what we had read before. That with each successive defeat there is an approach towards the final mutation, and that man only is in that he searches to be, plans to be, thumbing through words and modes of behavior and joy sprinkled with blood and other rhetorical pieces like this one. It might well have been the starting point of Avalovara, by Osman Lins. He then shows us how the phrase just might be an allegory for the order of the universe. This palindrome is then centered on a spiral that emerges from the letter N and subsequently crosses over the various letters of the statement as it expands.

Author:Grocage Shajora
Country:Georgia
Language:English (Spanish)
Genre:Sex
Published (Last):23 May 2014
Pages:417
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ISBN:896-9-42932-790-1
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Paul Zumthor, histria literria da Frana Medieval Uma criao implica superabundncia de realidaDe, ou por outras palavras, uma irrupo do sagrado no mundo. Segue-se da que toda construo ou frabicao tenha como modelo exemplar a cosmogonia. Mircea Eliade, O sagrado e o profano Chegar ao mundo tomar a palavra, transfigurar a experincia em um universo do discurso.

George Gusdorf, A palavra Axe primordial, le linga montre, en se joignant au yoni, que lAbsolu se dveloppe en pluralit, mais se rsout en unicit. L ensemble lingayoni prcise Iantagonisme des principes mle et femelle - et il le dtruit dans une non-dualit tiomplante. O nmero, aqui, no mais simples esqueleto exterior, mas smbolo do ordo csmico. O limite est no fato de a espiral ser contida num quadrado, que por sua vez se repartee em quadrados menores, cada um correspondendo a uma letra.

O traado da espiral vai tocando sucessivamente as letras, e cada uma destas corresponde a uma linha da narrativa, voltando periodicamente em segmentos cada vez maiores. As linhas so oito, e o seu desdobramento se traduz na histria de um homem e das mulheres que amou: uma na Europa, uma em Recife e sobretudo, uma em So Paulo, que de certo modo recebe a experincia amorosa vivida como nas anteriores. As duas primeiras seriam passado, mas funcionando como presente; a ltima um presente que se forma a cada instante do passado.

Toda a narrativa converge para a plenitude amorosa, numa espcie de gigantesca cmara lenta, que concentrasse o tempo no espao limitado e no limitado instante em que a plenitude buscada. O que desde logo prende em Avalovara a poderosa coexistncia da deliberao e da fantasia, do calculado e do imprevisto, tanto no plano quanto na execuo de cada parte. Falando do relgio de Julius Heckethorn uma das linhas da narrativa , o Autor diz que obedecia a um esquema rigoroso.

E sobre este rigor assenta a idia de uma ordem do mundo. Mas como introduzir, ento, na obra, o princpio de imprevisto e aleatrio, inerente vida?. A execuo do livro a resposta, fascinante para o leitor, medida que este vai experimentando a preciso geomtrica do arcabouo, a mincia implacvel da descrio e a poesia livre que rompe a cada instante. Nos vinte e cinco quadrados que formam o quadrado grande, onde se contm a espiral, as palavras se sobrepem horizontalmente, mas tambm se estendem em colunas verticais, pois a frase pode ser lida indiferentemente da esquerda para a direita, da direita para a esquerda, de cima para baixo, de baixo para cima, em diversos rumos.

Assim, na narrativa, o amor visto do homem para a mulher, da mulher para o homem, do presente para o passado, do passado para o presente, daqui para ali, dali para aqui, numa reversibilidade vertiginosa que traz baila a evocao da herma de Jano e chega a uma mulher que tambm homem, para um homem que poderia eventualmente ser tambm mulher.

As reversibilidades prosseguem ainda noutro plano, quando o Narrador se transforma periodicamente em Autor e a narrativa quebra a imagem do real, para aprensent-lo como fantasia composta.

Neste romance, uma das linhas precisamente a da conscincia crtica entrando a cada instante pela srie ficcional, denunciando o seu carter fictcio de empresa deliberada, igualmente reversvel entre a representao do real e o carter ilusionista da representao.

Da um livro que no tem medo de se apresentar como livro, como maquinismo montado, como no-realidade mas do qual jorram o fascnio de uma vida que palpita, o traado do mundo exterior e a surda potncia das emoes. Nada mais significativo desta mistificao demistificadora do que o fato de um personagem no ter nome. Trata-se de terceira mulher, a mais importante, representada no entanto por um signo meramente visual:.

Ela espantosamente carnal e viva para o leitor; mas um ente mental do escritor, uma pea do jogo palindrmico, representada simbolicamente pelo crculo fechado onde tudo comea e acaba, com seu alvo fincado no meio. As pontas da espiral, desgarradas no infinito, unem-se aqui para a consecuo de uma plenitude que toda a busca do livro. Tratado da narrativa? Viso do mundo? No universo sem gneros literrios da literatura contempornea, o livro de Osman Lins se situa numa ambiguidade ilimitada.

A comear pela linguagem, que varia tambm com o movimento da espiral, indo da simplicidade das expresses at a parfase do Cntico dos Cnticos, do tom de arrolamento metdico aos vos largos da poesia. Para se encontrar nessa ambiguidade, o leitor deveria munir-se de um sentimento duplo, que poderia ser chamado de sentimento do todo, ou da espiral, e sentimento da parte, ou dos quadrados.

H uma viso do todo, que se desvenda lentamente, custando a ganhar forma em nosso esprito. No faz mal, porque o livro parece feito para ser lido tambm nas suas partes. O sentimento da espiral leva a buscar a concatenao e o contraponto dos fios, ao longo do tempo. Mas o sentimento dos quadrados leva a tomar cada parte como um todo, bastante a si mesma e fora do tempo, capaz de produzir um impacto completo de leitura. Da o carter potico e geomtrico do livro, que uno e mltiplo, que carreia elementos narrativos do fundo dos sculos, mas tambm se passa nalguns instantes, num quarto fechado, sobre um tapete que se perde a cada momento no rumo do fantstico.

Avalovara representa na literatura brasileira atual um momento de decisiva modernidade, porque o Autor como diz a certa altura exerce uma vigilncia constante sobre o seu romance, integrando-o num rigor s outorgado, via de regra, a algumas formas poticas.

Um relgio na sala e o rumor dos veculos. Vem do Tempo ou dos mvies o vago odor empoeirado que flutua? Ela junto porta, calada. Os aerlitos, apagados em sua peregrinao, brilham ao trespassarem o ar da Terra. Assim, aos poucos, perdemos, ela e eu, a opacidade. Emerge da sombra a sua fronte clara, estreita e sombria.

A porta junto qual se contemplam ou avaliam, face a face, rodeados de sons, cheiro de p e obscuridade, limiar de qu? Ingressam ambos na sala e talvez, ao mesmo tempo, no espao mais amplo, conquanto igualmente limitado, do texto que os desvenda e cria. Permanece fechada a janela ante a qual ficam as descoradas poltronas de damasco, a mesinha de centro e o sofa com forro de veludo ouro.

A outra, aberta, ilumina a longa mesa posta: sobre pequenas toalhas ovais vermelhas, azuis e verdes -, entre a loua e os talheres, dois castiais, uma garrafa de vinho e o vaso com dlias amarelas. Palavra e corpo, o rosto fogo e seda junto ao meu:.

Afago seus cabelos, fartos, fortes, duas cabeleiras confundidas. Que liga esta hora viso da Cidade descendo sobre o vale com um pssaro? Uma exploso longnqua faz tilintarem os pingentes faltam alguns nos lustres de cristal. Tambm ouo o mecanismo, lento, cor de mel e ao, do alegre vestido, ala-se um perfume lancinante. Os motivos geomtricos, os animais e as ramagens dos dois imensos tapetes diluem-se num rosa meio encardido. Retirado o pndulo, poderiam esconder-se uma criana e seu co na caixa de madeira do relgio.

No haveria cidades sonhadas se no construssem cidades verdadeira. Elas do consistncia, na imaginao humana, s que s existem no nome e no desenho.

Mas s cidades vistas nos mapas inventados, ligadas a um espao irreal, com limites fictcios e uma topografia ilusria, faltam paredes e ar. Elas no tm a consistncia da prancheta, do transferidor ou do nanquim com que trabalha o cartgrafo: nascem com o desenho e assumem realidade sobre a folha em branco.

Aonde chegaria o inadvertido viajante que ignorasse este princpio? Elaborar um mapa de cidades ou de continentes imaginrios, com seu relevo e contorno, assemelha-se portanto a uma viagem no uniforme. Pouco sabe do invento o inventor, antes de o desvendar com o seu trabalho. Assim, na construo aqui iniciada. S um elemento, por enquanto, claro e definitivo: rege-a uma espiral, seu ponto de partida, sua matriz, seu ncleo.

R E ABEL: ENCONTROS, PERCURSOS, REVELAES O parque de diverses, com as suas luzes perdidas na escurido circundante, ela e eu no carrossel que range em torno do eixo, rangem as tbuas do piso se passa 3 algum dos outros raros hspedes; tento, sem conseguir, com faca afiada, cortar o olho desorbitado de um boi; a mala de viagem tomba no assoalho, range o mar nas bocas e nas barrigas dos peixes, ouo ou julgo ouvir, rosto contra rosto, um crepitar de chamas, as pranchas de carvalho rangem sob nossos ps, no sei se realmente pronuncia nomes inventados ou se dou forma a vozes que sua carne parece, subsistem, propaga-se em ondas amplas o rumor do mar pela costa ainda meio inculta, giramos abraados no carrossel, range o leito vazio e o outro onde estamos; como entender que to duros instrumentos, os olhos, recuem, queimem-se, tornem sobre si mesmos tal um pedao de seda?

Atentai, com cuidado, para as extremidades da linha, a interior e a exterior. Vereis, ao primeiro olhar, que a espiral no nos transmite uma impresso esttica: parece-nos, antes, vir de longe, de sempre, tendendo para os centros, seu ponto de chegada, seu agora; ou ampliar-se, desenvolver-se em direo a espaos cada vez mais vastos, at que a nossa mente no mais alcance.

A verdade que, se a seccionamos nas extremidades, arbitrariamente o fazemos; fazendo-o, guardamo-nos da loucura. Nem a eternidade bastaria para chegarmos ao trmino da espiral ou sequer ao seu princpio.

A espiral no tem comeo nem fim. A um olhar mais cndido, o que dissemos merece reparos. A espiral seria infinda em seu exterior; interiormente, porm, h os centros ontem ela termina ou se inicia. Tal pensamento demanda retificao.

Somos ns que impomos limite, em ambas as extremidades, para a espiral. Idealmente, ela comea no Sempre e no Nunca o seu termo. Com o que chegamos a uma concluso ainda menos trivial que as anteriores, a saber: embora a vejamos traada, no papel, em direes opostas, suas extremidades se realmente existem em algum ponto misterioso, inacessvel nossa compreenso empedrada, havero de encontrar-se, exatamente como o crculo, representao bem menos equvoca e perturbadora. Como, ento, fazer repousar a arquitetura de uma narrativa, objeto limitado e propenso ao concreto, sobre uma entidade ilimitada e que nossos sentidos, hostis ao abstrato, repudiam?

As unhas esmaltadas luzem sob as meias transparentes. Tomo nas mos os seus ps, os dois ela, no sof, meio curvada, afagando-me a cabea , e descanso o rosto sobre eles. Nascem e abrem-se, nos ps, dentro dos ps, entre os ossos finos, violetas invisveis: sinto-as. A Cidade navega pelos ares, em silncio, pousa no vale. Face a face, eu e a Cidade, mudos. A quem pertencem, realmente, estes ps sob meu rosto e dentro dos quais ouo vozes? Ela repete meu nome, docemente: Abel! Dissipa-se o cheiro de p com sua presena ou com o ar morno de tarde entrando pela janela.

Repetem as nossas lnguas o jogo de avanos e recuos, prprio dos amantes. Os incisivos vez por outra se tocam e ento nossos msculos retraem-se. Sugo, sucessivamente, sua lngua e seus beios de corte ntido. Ela faz o mesmo. Nossas lnguas incham e diminuem, avanam, expandem-se, tendem a ocupar inteiramente a boca do outro.

Ave de forma imprecisa ou flmula negra, cintilando na linha do horizonte e aproximando-se, ampliando-se ondulante no cu puro pssaro? O odor do ar que aspiro, tpido, das narinas de , alcana intensidade quase insuportvel.

Maior, ainda assim, o prazer de sorv-lo. Respiro sobre um vaso de vinho? Uvas esmagadas, vides recm-podadas, folhas secas de parra queimando sob a chuva, lenis de linho ao sol, entre latadas altas e sarmentos, eis, dentre muitas outras, algumas das imagens evocadas a esse hlito que ningum mais possui e que ela prpria, decerto, s em raros momentos exala com igual intensidade.

A lngua quente e agitada, feita para degustar os sabores da Terra, inverte esta funo e faz-se alimento. Sabe a licor. De qu? Bebo o suco sempre renovado desse fruto vivo. Embebo-me do rumoroso ser abrao e sinto, no meu peito, como se a mim pertencessem, crescerem seus peitos. No tero apenas o arredondado, mas tambm o colorido das rosceas duas grandes rosceas sobre rosceas menores e neles fulgem, estou certo, palavras pouco usuais.

EL FUGITIVO RICHARD BACHMAN PDF

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Bernardo Kaiser rated it liked it Mar 11, To ask other readers questions about Avalovaraplease sign up. Avalovara by Osman Lins. Avalovara by Osman Lins 1 star ratings Brochurapages. He graduated from the University of Recife in with a degree in economics and finance, and held a position as bank clerk from until No trivia or quizzes yet.

FANUC 18I-TB MANUAL PDF

58420194 Avalovara Osman Lins

A clock in the room and the sound of vehicles. Does the vague, dusty, wavering odor come from Time or from the furniture? She beside the door, silent. Meteorites, dark during their pilgrimage, light up as they pass through the air of Earth. In just that way, after a short while, we lose opacity, she and I. One cannot tell, whether in their voices or in their silences or on their hazy faces, the sign of what they are and what they are charged with.

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